TSE dá um pontapé na credibilidade e Cássio permanece no cargo até 2009
Visitas aos gabinetes do TSE foram proveitosas para Cássio
O TSE deu ontem uma demonstração de que, membros de sua corte não têm a menor noção do que representa a frase “a mulher de César”. Por maioria dos seus pares a corte deu um pontapé na credibilidade e empurrou para as calendas de fevereiro a decisão de um processo que angustia um estado.
Sintomaticamente, um mineiro de Belo Horizonte, Arnaldo Versiani, concedeu ao governador já cassado, pelo mesmo tribunal, por unanimidade, o direito de resistir no cargo por mais 60 dias, ao pedir vista.
O pedido de vista de Arnaldo Versiani provocou uma discussão em plenário e foi considerado um desrespeito à sociedade e a própria instituição, como ressaltou o ministro Joaquim Barbosa, num rompante de indignação com o “vai-e-vem” do processo.
De nada adiantou a inconformidade do ministro Barbosa, que acompanhou o voto do relator Eros Grau pela rejeição plena dos embargos interpostos, o que já havia ocorrido nos pareceres da Procuradoria Geral Eleitoral e do Ministério Público Eleitoral diante do volume de provas que condenaram o governador Cássio Cunha Lima.
Nas palavras do ministro Joaquim Barbosa fica a convicção que se estendeu à opinião pública do país e em particular aos paraibanos: “Um tribunal que titubeia nas suas decisões, deixa de ter credibilidade”,
E foi o que aconteceu ontem com o TSE: perdeu a credibilidade escoada no ralo da desconfiança geral de que, as visitas de gabinete em gabinete do governador cassado terminaram por surtir efeito.
Para quem assistiu on line à transmissão da sessão de ontem testemunhou mais uma decisão “estapafúrdia e escandalosa” da corte ao protelar as suas decisões atropelando todos os conceitos de Justiça, como foi destacado pelo ministro Joaquim Brabosa
O ministro foi contundente e na sua inconformidade fez questão de separar o joio do trigo ao se insurgir contra as manobras protelatórias do governador paraibano
Joaquim Barbosa foi curto e grosso com o colega mineiro, oriundo das bases do governador Aércio Neves, tucano de plumagem vistosa que, lá das alterosas, meteu o bedelho para dar mais um período de governo ao companheiro de legenda.
O espetáculo quase circense do TSE corroborou a convicção de Cássio e seguidores da Paraíba de que, o crime compensa.