Rômulo desviou mais de R$ 6 milhões da Assembléia em mais de 4 mil ‘cheques da saúde’. Dinheiro foi parar na sua conta de campanha
O candidato a prefeito pela Coligação Por Amor a Campina, Rômulo Gouveia (PSDB) realmente entende muito de cheques da saúde. Quando era presidente da Assembléia Legislativa da Paraíba, ele criou um programa de auxílio à saúde que tinha o objetivo de beneficiar pessoas carentes através de uma ajuda financeira para tratamento, paga com cheque do Poder Legislativo. O problema é que, durante quatro anos, Rômulo desviou o dinheiro que iria para o tratamento dos pobres e beneficiou assessores, aliados políticos e pessoas influentes de seu ciclo de amizades.
São pessoas que, comprovadamente, têm alto poder aquisitivo e jamais necessitariam de ajuda financeira da Assembléia Legislativa para tratamento de saúde. E, o mais curioso é que o dinheiro foi parar justamente na conta de campanha de Rômulo em 2006, através de ‘doações’ destas mesmas pessoas beneficiadas com os cheques da saúde. A denúncia foi feita neste sábado (18) pela Coligação Amor Sincero Por Campina.
No total, foram distribuídos 4.043 cheques da saúde, totalizando exatos R$ 6.431.932,53. Esse dinheiro foi parar nas mãos de aliados políticos e amigos do então presidente da AL, Rômulo Gouveia. Dentre os beneficiados estão vários assessores diretos do próprio Rômulo, a exemplo de Damião Gutemberg Ramos dos Santos, que recebeu seis cheques da saúde, totalizando R$ 18.500,00. Logo em seguida Damião doou à campanha de Rômulo a quantia de R$ 3.880,00.
Outro assessor beneficiado foi Valdir José Dowsley (Dinho), que hoje é vereador em João Pessoa. Ele recebeu, até o ano de 2004, quando Rômulo foi candidato a prefeito de Campina Grande, dez cheques da saúde, totalizando R$ 6.330,00. Logo em seguida, Dinho doou R$ 8 mil para ajudar na campanha de Rômulo Gouveia.
Outra assessora beneficiada com os cheques da saúde de Rômulo foi Luzinete do Carmo Gaião. Ela recebeu de Rômulo sete cheques, totalizando R$ 12.220,00. No caso de Luzinete, o dinheiro foi usado para a campanha de Rômulo à Câmara Federal, já que ela foi doadora em 2006, com R$ 3.320,00.
Waldir Porfírio da Silva foi nomeado por Rômulo para ocupar um cargo no alto escalão da Assembléia e também foi beneficiado com os cheques da saúde. Ele recebeu de Rômulo três cheques, totalizando mais de R$ 5 mil. Rômulo também deu cheques da saúde a Antônio Eriberto Oliveira de Mendonça, ainda hoje seu assessor direto. Ele recebeu dois cheques, totalizando R$ 3.234,00. Logo em seguida, Eriberto doou à campanha de Rômulo R$ 1.300,00.
Outro assessor beneficiado foi o seu chefe de gabinete aqui na Paraíba, Walfrido de Melo Silveira Neto, que recebeu 4 cheques, totalizando R$ 6.550,00. Francisco Eduardo de Macedo Neto, também assessor direto de Rômulo, recebeu oito cheques, totalizando R$ 4.800,00.
‘Amigos doadores’
Os cheques da saúde também foram parar nas mãos de pessoas que não faziam assessoria direta a Rômulo, mas eram do seu ciclo de amizades ou de contato político. São pessoas que receberam o dinheiro da saúde e fizeram doações para a campanha do tucano, a exemplo de Everalda de Oliveira Ramos, que recebeu sete cheques da saúde, totalizando R$ 17.500,00. Logo em seguida, Everalda doou R$ 8.500,00 para a campanha de Rômulo.
O dinheiro da saúde também foi parar nas mãos de Sabrina Germana Ramos, que recebeu seis cheques, totalizando R$ 18.000,00. Mais uma vez, coincidentemente, houve a triangulação para a conta de campanha de Rômulo, já que Sabrina doou R$ R$ 2.380,00 à campanha do tucano. Há casos que chamam a atenção pela quantidade de cheques e pelo montante em dinheiro, a exemplo de Tomires Alves Honorato, que recebeu mais de R$ 120 mil, em cerca de 15 cheques da saúde.
Construtoras também receberam – e doaram
Na época em que Rômulo Gouveia era presidente da Assembléia Legislativa, ele acertou diversos contratos, todos sem licitação, com a Empresa Construtora Marilac, sob o pretexto de promover ‘reformas em setores da casa’. O inusitado é que esta construtora foi extremamente beneficiada com dinheiro da Assembléia e, curiosamente, apareceu como doadora da campanha de Rômulo a deputado federal.
Nos contratos sem licitação, a empresa foi contemplada com mais de R$ 150 mil e boa parte desse dinheiro foi parar na conta de campanha de Rômulo.
Todos os documentos referentes a estas operações estão disponíveis no site do Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB), através do Sistema Sagres, como também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os documentos estão com os advogados da Coligação Amor Sincero Por Campina, anexados a uma representação que está sendo apresentada junto ao Ministério Público Estadual.
Anexados:
|
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Outubro 18, 2008 às 9:57 pm
CAMBADA DE BABÃO DO CABELUDO!!!!!!!!!!!! ESTÃO DESESPERADO NESSE 2° TURNO XAU PREFEITURA!!!!!! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Outubro 19, 2008 às 12:20 am
Waldir diz que verba recebida da AL
foi para projeto Perfis Parlamentares
A verba de recebida pelo ex-chefe de gabinete do deputado Zenóbio Toscano – hoje secretário da Mesa da Assembléia Legislativa -, Waldir Porfírio, não foi destinada a ajuda de custo, como denunciou a equipe de campanha do prefeito Veneziano Vital, mas para elaboração do terceiro volume da “História e debate na Assembléia da Paraíba”, que fez parte da coleção Perfis Parlamentares, durante a gestão do então presidente da AL, Rômulo Gouveia. O pagamento, inclusive, foi feito após devidamente empenhado.
Segundo consta do Sistema Sagres, do Tribunal de Contas do Estado, o empenho foi destinado a “serviços de elaboração do terceiro Tomo da Coleção Perfis Parlamentares”. O número do empenho é 01030, de 10 de maio de 2006. O valor, por sinal, não foi de R$ 5 mil, mas sim de R$ 10 mil 500, divididos entre os outros colaboradores do trabalho – os jornalistas e historiadores Hélio Zenaide, Agnaldo Almeida, Biu Ramos, Gonzaga Rodrigues, José Octávio de Arruda Melo, José Romildo de Sousa, José Luciano de Queiroz Aires, Faustino Teatino Cavalcante Neto, Irene Rodrigues Fernandes e Laura Helena Baracuhy Amorim.
“Nunca fiz nada de ilegal ou amoral. Não existem manchas em minha vida pessoal ou profissional”, declara Waldir Porfírio.
O trabalho dos jornalistas e historiadores foi lançado no plenário da Assembléia Legislativa.