O governador Cássio Cunha Lima está bastante incomodado com o noticiário sobre o seu futuro político. Ele estaria apreensivo com os problemas que ameaçam a sua vitoriosa carreira, principalmente depois que circularam notícias na mídia nacional sobre o “finca pé” que os ministros Joaquim Barbosa e Eros Grau deram para abortar sua estratégia de protelar o julgamento dos embargos através de sucessivos pedidos de vista.
O posicionamento intransigente dos dois juízes causou recuos nos apoios que o governador havia construído nas suas conversas de bastidores em Brasília. Ele já tem convicção de que, o seu processo será um dos primeiros a entrar em pauta na primeira sessão de fevereiro.
A disposiçao dos ministros Joaquim Barbosa e Eros Grau em impedir a estratégia adotada pela defesa de Cássio e que tanto ânimo insuflou junto aos seus simpatizantes é reforçada por uma proposta antiga manifestado pelo ex-presidente do STJ, Edson Vidigal, em acabar o pedido de vista, como forma de dar celeridade aos julgamentos.
O governador estaria tão apreensivo que desistiu da reunião marcada para agora à tarde com seu secretariado, onde pretendia injetar ânimo na equipe, anunciando medidas, ações, projetos e principalmente inaugurações de obras. No entanto, o secretário de Comunicação, Sólon Benevides, explicou que a reunião foi adiada devido a uma crise de faringite que acometeu o governador.
Embargos
Para a reunião desta segunda-feira, foi exigida a presença do vice-governador José Lacerda, e que todos os secretários comparecessem em trajes formais. Ao deixarem o Palácio da Redenção, poucos secretários souberam explicar o motivo do adiamento da reunião.
Benevides disse o julgamento dos embargos de declaração que deverá ocorrer no mês de fevereiro pelo TSE, e que adiou o afastamento de Cássio do governo em função da cassação feita pelo tribunal em 20 de dezembro, não acarretou problemas administrativos para o governo.
“A máquina administrativa continua trabalhando normalmente e a questão jurídica está entregue aos advogados, que estão tratando muito bem do assunto junto ao TSE, porque a Paraíba continua sendo bem gerenciada”, disse Benevides.
Estorvo
O governador Cássio Cunha Lima continua recebendo espaços generosos da mídia nacional. Ele agora é visto como um “estorvo” para o candidato do PSDB à presidência da República em razão dos muitos escândalos que envolvem a sua administração, com destaque para a cassação do seu mandato pelo TSE.
Segundo publicações com a Folha de São Paulo, o governador Cássio Cunha Lima representa um risco para um pretenso candidato do PSDB à eleição presidencial em 2010, tendo como principal ‘vidraça’ favorável à oposição o processo que responde no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e econômico na campanha de 2006, que o deixou à deriva no Governo do Estado.
A acusação que pesa sobre o governador é sobre a distribuição de 35 mil cheques à população em ano eleitoral sem que houvesse lei que regulasse o programa de assistência social do Estado. Mesmo com a defesa alegando legalidade no caso, no dia 20 de novembro de 2008 o TSE cassou por unanimidade o governador Cássio e seu vice José Lacerda Neto (DEM). Ambos mantêm-se atualmente no cargo à espera do julgamento de recursos.
Outro tema relevante oriundo da administração Cunha Lima é a segurança precária em que se encontra a Paraíba, com destaque para a greve dos delegados da Polícia Civil, a falta de estrutura nas delegacias das cidades paraibanas, o memorável esquema que foi montado dentro do presídio do Serrotão em Campina Grande, onde os presos construíram casas bastante equipadas dentro do presídio pagando propina para policiais militares e agentes penintenciários, entre outros acontecimentos.
O governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB) e a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), também podem ser alvo da oposição em 2010. O tucano da Paraíba compartilha do mesmo rebanho de ‘ovelhas negras’ do partido.
O senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, não vê empecilho nessas administrações para a campanha presidencial do partido em 2010. ‘O Rio Grande do Sul equacionou suas finanças. Em Alagoas, as finanças vêm se recuperando. O que sobra é a discussão política’, afirmou Guerra sem tomar defesa direta a Cássio.